VISITA AO ACERVO MARIA DA GLÓRIA SÁ ROSA (08/06/26)
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MARIA DA GLÓRIA SÁ ROSA
Ela conta na obra “A Crônica dos Quatro” um pouco de suas experiências durante o curso na PUC-Rio: “Uma canção, o agito de folhas ao vento, a visão do antigo edifício trazendo de volta figuras presentes no espelho da memória. Foi o que aconteceu comigo, meses atrás, quando passei em frente ao prédio da antiga PUC Rio, onde fiz o curso de línguas neolatinas. No limitado espaço de quatro anos estive ao lado de pessoas que modificar o meu modo de ser e estar no horizonte dos corredores da sala de aula. De repente pareceu me rever Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athayde) chegando apressado para as aulas de literatura brasileira. Que prazer ouvi-lo mencionar seu relacionamento com Machado de Assis, que conhecer ainda menino. [...] Suas aulas eram verdadeiras lições de cultura.
A voz de Emília ressoa nas páginas do “Quixote”, nos versos de Garcia Lorca, nos poemas de Gabriela Mistral, que nos ligavam para sempre ao paraíso das terras hispânicas e latino-americanas. [...] Na intimidade era dócil, amiga, encorajadora, tanto que foi pensando nela que me tornei professora de Espanhol e incentivei a abertura do curso na UFMS.
Finalmente, com Barreto Filho naveguei para sempre nas águas de Marcel Proust. Para exemplificar o poder da memória involuntária, viajou conosco em muitas das aulas de Psicologia na prosa fascinante do grande romancista francês. [...] Esses três mestres ensinaram-me a encontrar na literatura uma razão de viver nas esferas do sonho e da felicidade interior. O que mais pode ser exigido de um professor, além de estimular os alunos a gostar de ler, a conhecer a essência das coisas, a saber aprender a respiração da vida, a descobrir na arte a felicidade?”.
AOS NOSSOS PROFESSORES
Maria
da Glória Sá Rosa
Quando a gente viveu em uma
mesma cidade mais de meio século, é impossível deixar de perguntar que coisas e
pessoas preencheram esse tempo, que forças impulsionaram a corrida para o
ritmo febril, que agita cada célula dessa máquina gigantesca, que se chama
progresso.
E se consultarmos as estrelas
em sua descida para o poente a resposta só poderá ser encontrada na força
interior dos que ergueram ruas, escolas, semearam árvores e, na secura do
deserto, construíram símbolos de resistência contra o egoísmo e a mesquinhez,
que destroem o entendimento.
Pessoas que se tornaram
símbolos, como monumentos, que depois de tombados deixaram a sombra que invade
a noite do esquecimento. Se não houvesse o olhar do outro, como
poderíamos avaliar as formas que tomam conta de nossas ideias, de nossas
emoções? O segredo do amor que envolve as cidades são as pessoas que fizeram
parte da engrenagem dos sonhos. São elas que justificam nossa
permanência, nosso retorno a paisagens em que repousam momentos significativos
de nossas vidas.
Duas personalidades me dão motivos para enquadrá-las na
galeria simbólica dos construtores: Arlindo de Andrade Gomes, que fez de
Campo Grande uma cidade jardim, repleta de árvores pelas quais circula a brisa
da satisfação interior, e Fernando Corrêa da Costa, que, nos anos 1950,
asfaltou as ruas principais e levantou, com projeto de Oscar Niemayer, uma obra
que alia a beleza das formas à funcionalidade e abre para crianças e
adolescentes os caminhos do conhecimento: o Colégio Estadual Campo-Grandense,
hoje Escola de Primeiro e Segundo Graus Maria Constança de Barros
Machado.
Foi ato de justiça batizá-lo,
por sugestão do senador Rubem Figueiró, com o nome daquela que veio de longe
para, em Campo Grande, dedicar uma vida inteira à Educação. Dona Constança,
mais que um signo, mais que um nome, é personagem emblemática de total entrega
às coisas do ensino. A história de Campo Grande não pode ser contada sem que
nela figurem os responsáveis pelo milagre de tornar melhores os que fazem parte
do cenário da vida humana. Gostaria de recordar algumas das personalidades, que
mudaram comportamentos, que fizeram da educação a razão de sua permanência num
mundo repleto de contradições.
Dizem que ninguém é insubstituível.
Mas quem tomará o lugar de Múcio Teixeira, que ultrapassou a casa dos cem
anos ensinando crianças e adolescentes a encontrar nos livros a fórmula
de nunca desanimar, mesmo diante dos mais difíceis problemas do
cotidiano?
Quem dará às reuniões da Aliança
Francesa o brilho da Cultura, o conhecimento do mundo do Professor José Afonso
Chaves? Quem como o Padre Felix Zavattaro para transformar uma aula de
filosofia em espaço de comunicação e de prazer? Quem transmitirá ao ensino da
Matemática o sabor das aulas do Professor Luiz Cavalon?
Quem envolverá as festas escolares com o entusiasmo e o
calor da risada das observações pertinentes da Professora Luiza Widal
Borges Daniel?
Poderia citar centenas de
outras pessoas, que levantaram os alicerces do presente e do futuro e que se
foram um dia, mas deixaram marcas indeléveis. As que nomeei fazem parte de
meu patrimônio de lembranças.
São parte do desenho de Campo Grande, estão incorporados à
memória coletiva, estão inseridos em meu tempo.
As horas passaram, as estrelas caminharam para o poente, mas
eles são as notas da partitura musical que ajudaram a criar e que se incorporou
à nossa memória. A minha especial homenagem.
Crônica Publicada no Correio do Estado do MS em 14 de
Julho de 2015
ATIVIDADES DE LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
6ºB e C 27/03
(Clicar nos links dos Quizzes)
https://profwarles.blogspot.com/2016/03/6-ano-portugues-ensino-fundamental-quiz.html#google_vignette
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